29/07/2014

China 2050

00:48
0


 Pequim, 29 de julho de 2014

你好,


E como o tempo voa né! Faz 6 meses que não atualizo o blog e parece (ao menos para mim) que foi ontem. Aí muita gente me perguntou porque que eu tinha parado de escrever sobre minhas aventuras na China. Bom, o motivo foi porque como eu estava ilegal na China e meu blog estava com muitos acessos eu não queria correr o risco de ir parar na policia pela quinta vez. Enfim, consegui a minha tão sonhada autorização de residencia e hoje estou 100% legalizado. E olha que o processo não foi fácil!

Hoje não vou falar sobre as aventuras que passei aqui na China (olha que são muitas). Queria mostrar para vocês o trabalho do fotógrafo francês Benoit Cezard que morou durante seis anos na cidade de Wuhan (eu já morei lá), aqui na China. O cara simplesmente viajou na maionese, literalmente! Se hoje a China é um terreno que dá bons frutos para os estrangeiros, em 2050 a realidade será outra. Para ele, será normal ver estrangeiros em empregos que hoje são ocupados pelos chineses sem nenhuma escolaridade. Benoit acredita que o "Bum" da economia chinesa vai passar e fará com que muitos estrangeiros troquem a rotina dos escritórios pelas ruas para ganhar alguns trocados. 

Sinceramente, acho que isso é uma bobagem. Se os estrangeiros perderão o "status" de os reis do pedaço na China, ganhando muitas vezes 3x, 4x mais que um chinês de nível mediano, porque eles se sujeitariam a isso? Em última hipóteses eles poderiam voltar para seus países de origem para também trabalhar nas ruas. Para mim esse pensamento dele não faz muito sentido. As fotos eu achei bem curiosas e vale a pena compartilhar a informação.





12/02/2014

                                                                                                          Pequim, 12 de fevereiro de 2014
你好,

Para você que acha que só brasileiro tem jeitinho para tudo, dê uma lida nessa notícia que saiu em vários portais de notícia:



Chinês usa bilhete de primeira classe para comer de graça no aeroporto por um ano



O aeroporto de Xian, em Shaanxi, na China, registrou a ousadia de um passageiro, que remarcou sua passagem cerca de 300 vezes em um ano, para comer de graça no aeroporto. Isso porque os passageiros de primeira classe têm uma série de vantagens, como alimentações no lounge do aeroporto.

O passageiro "esperto" agendava uma passagem na primeira classe, ía ao lounge do aeroporto, comia de graça e ía embora. No outro dia ele voltava, remarcava a passagem, comia de graça e saía. A rotina se repetiu por quase um ano, até o último domingo (26), quando o número de remarcações chamou, enfim, a atenção da companhia aérea chinesa.

Depois de descoberto, o rapaz cancelou a passagem e ainda foi reembolsado pelo custo total do voo.

Fonte: O Globo online.

Leia mais aqui

04/02/2014

                                                                                                                   Pequim, 04 de fevereiro de 2014
你好,


Gente saiu uma matéria na revista Época sobre a política dos Pandas usados como arma de troca entre países para estabelecer acordos políticos. Os dados são bem interessantes e vale a pena ler.

Segue aqui um trecho sobre o porquê o Brasil não possui Pandas.



"É um ótimo negócio para a China – nem tanto para quem recebe os pandas. Desde então, todo país que recebe um panda precisa assinar um contrato com essa duração e pagar, por panda, uma taxa anual de quase US$ 1 milhão. Caso um filhote nasça, ele continua a ser propriedade chinesa, e o governo responsável deve pagar mais US$ 600 mil anuais pelo animal. Há outras despesas. O zoológico de Toronto gastou US$ 14,5 milhões em infraestrutura para abrigar os pandas que chegaram em março. Essa conta não inclui os gastos com alimentação – um panda adulto passa entre dez e 16 horas comendo até 38 quilos de bambu, 99% de sua dieta. Esse custo talvez explique por que países como Paquistão, Índia, Chile, Peru, Costa Rica e o Brasil, embora com acordos comerciais importantes com a China, não tenham pandas em seus zoológicos."


por que o brasil não tem pandas?

Fonte: Época online.

08/11/2013

                                                                                                      Wuhan, 08 de novembro de 2013
你好,


Minhas amigas chinesas estavam me visitando e elas tiveram a oportunidade de saborear uma boa goiabada com creme de leite. Até explicar como era feito e o que era goiaba foi uma longa história...

05/11/2013

                                                                                             Wuhan, 05 de novembro de 2013

你好,

Corra que nem uma louca porque é cilada. Não que o lugar seja horrível ou não vale a pena conhecer (sinceramente, vale muito incluir no roteiro de viagem a China). Mas, tenha em mente que você vai andar, andar, andar e subir e descer e parar para tirar muitas fotos (só nos 20 primeiros minutos antes de sentir o cansaço). Se você não tiver muito fôlego e achar um saco roteiros ecológicos vai achar esse programa um saco. Vou contar do inicio como fui parar no lago da Mulan.

Se você costuma acompanhar meu blog já percebeu que eu me mudei de Shenzhen para Wuhan a séculos (se não, agora já sabe RÁ!). Então, quando eu sabia que vinha morar por aqui a primeira coisa que eu fiz foi uma pesquisa básica sobre essa cidade no Google e, dentre várias coisas, Wuhan é famosa por ser a cidade da Mulan (Hua Mulan, em chinês  花木兰). Vai dizer que não veio a cabeça a animação da Disney? É desta mesma personagem que estou falando. Me empolguei todo para conhecer a tal Montanha da Mulan, onde ela passou uma parte da vida. Porém devido minha rotina super atarefada nunca arranjava um tempinho para ir até lá.

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
Da esquerda para a direita: Eu, Val e Andressa em 木兰天池
Um belo dia minhas amigas Val e Andressa resolvem me visitar durante um dos pouquíssimos feriados chineses. Pronto! Esta foi a desculpa perfeita para ir conhecer alguns pontos turísticos de Wuhan (que alias são inúmeros). Estávamos todos excitadíssimos para conhecermos a tal montanha. Só que.................... na hora de comprarmos (na verdade a Val e a Andressa foram comprar) os bilhetes para a excursão descobrimos que o lugar era enorme e que não havia excussão disponível para a montanha nos dias que queríamos e sim para para a Mulan Tianchi (木兰天池), que em uma tradução adaptada seria algo como Lago da Mulan (tianchi não possui uma tradução do mandarim). A atendente da agência de viagem disse que se quiséssemos ir até a montanha poderíamos ir no ônibus da excussão e depois da visita ao lago ficaríamos por conta própria para ir até a montanha no dia seguinte (decidimos por bem ir até o Lago da Mulan somente). Segundo a Val, a comunicação entre elas e atendente na hora de entender o roteiro foi bem direto isto porque a moça usou as únicas 10 palavras em inglês que ela sabia e as meninas as únicas 10 que elas sabiam em chinês para se comunicar. A parte mais explicita do dialogo foi que deveríamos levar comida para comermos durante a viagem. Ainda segundo a Val a atende enfatizou várias vezes: NO BREAKFAST, NO LUNCH (sem dejejum, sem almoço).

Com as passagens compradas e temendo que as meninas pudessem ter entendido alguma coisa errado nesse diálogo de 10 palavras, fomos ao Carrefour comprar alimentos. O que esperar para comer? Fizemos uma cesta básica com suco industrializado, pão. bolacha recheada, geleia e água (reparou que não escolhemos nenhuma fruta? rá).

Acordamos às 4 da manhã de domingo para chegar a tempo ao local onde supostamente o ônibus nos pegaria. O clima era de total empolgação para ir conhecer o lugar. Uma vez eu escrevi no meu face que o problema dessa cidade é só a distância: aqui é tudo muito longe (mandar alguém para casa do caralho tem realmente outro significado quando se mora em Wuhan). Chegamos ao ponto de encontro 30 minutos antes do combinado e como estávamos um pouco desconfiados liguei para a moça responsável pela excussão (e que supostamente seria nossa guia). Meu mandarim é do tipo "só eu entendo" e o pior foi descobrir que a guia sabia menos que 10 palavras em inglês e a conversa durou uns 5 minutos com frases (ou melhor palavras) do tipo: Nós...Aqui...Estamos...Você... onde... está? Sim é possível passar muitos minutos só falando essas palavras #desespero. No final das contas estávamos no lugar certo (que bom né). A viagem de ônibus durou um pouco mais de 2 horas e por incrível que pareça não saímos de Wuhan. O nosso destino era o distrito de Huangpi, um local que se leva mais de 2 horas para se chegar você já sabe onde fica localizado né ? (Lá na casa do Caralho).

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
A seta mostra o lugar onde paramos.
Descemos do ônibus, os chineses se organizaram em filas e no nosso roteiro estava escrito que passaríamos 8 horas. Logo pensamos que seria um absurdo gastar 8 horas em um lago. MERO ENGANO! Depois que passamos do portão de entrada olhamos para trás e não vimos ninguém da nossa excussão. Simplesmente todo mundo tinha evaporado e cada um foi para onde bem entendia. Durante alguns minutos ficamos parados esperando que a guia fosse nos "guiar" pelo lago (só que não #sqn). Ela sumiu (se bem que não seria de grande utilidade ter alguém que só sabe 5 palavras em inglês). Nós ficamos nos perguntando o porquê de nossa guia ter nos abandonado. Em 2 horas descobrimos por intuição o motivo. O lugar é enorme e em 8 horas só conseguimos conhecer 50% do caminho. Nós soltamos de tirolesa, escalamos pedras, caminhamos, descemos vários degraus e era tão longo o passeio que parecia que não acabava. A gente ia chegar em Tóquio e nada de encontrar saída.

Essa fotos estão disponíveis no Google e dá para ter uma ideia da beleza do lugar:

Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan




Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan
  
             
Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan




Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan


Mulan Tianchi 木兰天池 wuhan



Esse vídeo aqui é um resumo do que conseguimos fazer. A parte que mais gostamos foi a descida de bunda. Paga-se 20 RMB (R$ 6,60) para escorregar de bunda uma parte do trajeto. É muito divertido. O ruim é o congestionamento de chineses.

16/10/2013

Enquanto isso...os asiáticos sempre tecnológicos descobriram o jeito mais rápido de fazer cocô. Basta sentar e molhar a bundinha...  vídeo ainda mostra depoimento de pessoas que melhoram após transformar suas fezes em milkshake.


08/10/2013

08 de outubro de 2013
Na segunda temporada, a versão chinesa teve 2 treinadoras (em chinês eles são chamados de laoshi)

Semana passada saiu no noticiário da CBS uma notícia que me deixou triste. O governo chinês poderá suspender a próxima temporada do the voice of china. A justificativa foi ridícula. Acredite ou não, o controle do governo disse que esse tipo de programa possui entretenimento excessivo. O the voice na china é um dos programas mais assistidos e divulgados por aqui (tem propaganda até no banheiro do metrô - sem brincadeira). Só para se ter uma ideia, enquanto que o The voice of US tem 4 milhões de visualizações, na China são 6 milhões (tá bom para você). Só esse ano a censura do governo suspendeu dois programas musicais sob o mesmo pretexto. Apesar de não ser a melhor versão do mundo, espero que continue uma terceira temporada. Só espero.   



Minhas lamentações

Desde que comecei a assistir esses programas de competição musical, houve um que me chamou muita atenção, o the voice. Ontem (07/10), ocorreu a final da versão chinesa e para mim foi pior do que a primeira temporada, não teve glamour e nem muito menos artistas estrangeiros convidados. Gostei muito da versão chinesa do the voice - apesar de ser bem diferente das outras 16 versões exibidas ao redor do mundo.

25/09/2013

EU, DO LAR

10:45
0

                                                                                                          Wuhan, 08 de agosto de 2013

你好,


Apesar do pouco tempo que dedico a narrar minhas experiências na China fico feliz por saber que muitas pessoas (aos quais eu nunca vi na vida) estão acompanhando meu dia a dia do outro lado do mundo. Muitos me perguntam e como é a comida aí? Você já se acostumou com o tempero? Bom, a comida é "exótica" tem umas coisas muito gostosas que com certeza iriam fazer sucesso em terras tupiniquins, mas já outras prefiro nem opinar. Nesses casos eu sempre costumo dizer que vivo um caso de amor e ódio com a comida chinesa.

Como me sinto limpando a casa.
Como agora eu conseguir conquistar meu próprio lugar ao Sol (rs) e estou vivendo a experiência de morar só pela primeira vez decidi por a mão na massa e virar uma dona de casa. Tenho que confessar que estou me superando como uma "do lar". Nunca me imaginei (na verdade não gosto) ficar limpando casa. Sendo honesto, estou encarando essa minha nova função como um meio de aliviar a tensão da semana. Coloco um som bem alto e saio varrendo a casa. Como uma boa dona de casa, também tenho a hora de cozinhar. E é nesse momento que não sou tão bem sucedido algumas vezes. Sempre cozinhei no Brasil e coisas gostosas surgiam. Aqui nem sempre (rá).

Como me sinto quando a comida dá certo
Mas até que estou me virando bem e tentando adaptar os temperos e ingredientes asiáticos para que saiam o mais próximo do gostinho brasileiro. Na China é possível fazer diversos pratos que comemos no Brasil - é claro que não sai igualzinho mas sai "tipo" comida de mãe. A minha amiga Omara (que é minha conterrânea do  Amazonas) me ajudou a fazer pão de queijo e saiu muito bom. O difícil foi só encontrar o polvilho. Ler os caracteres do mandarim não é uma das tarefas mais fáceis. 

Uma coisa que eu não acerto fazer de jeito nenhum (nem com reza braba) é o arroz soltinho. Ele sempre sai aquela mistura de unidos venceremos que os asiáticos tanto adoram. Fico com ódio mortal e praticamente cortei o arroz da minha cozinha. Mas por outro lado consigo fazer uma macarronada com feijão salgado (aqui se come o feijão doce no pão) e um bom bife. E falando em bife, eu ralei para achar uma forma de fazer um bife próximo aquele que eu comia na casa de mamãe. Graças ao Facebook, consegui a ajuda de vários brasileiros que moram aqui e eles me explicaram como eles preparam um bom bife acebolado. Não tem muito mistério. Usei molho de soja (como me recomendaram) e acrescentei mais um tempero pronto que os chineses usam para passar na carne. Como eu gosto da carne bem macia a Chris (do blog uma família brasileira na China) me passou a dica de passar uma mistura de ovo com uma colherzinha de maisena na carne antes de frita. Bingo! deu certo! Saiu tudo gostosíssimo.  Olha aí o material que usei no bife:

Maisena na China se chama Sheng Fen e é fácil de encontrar


Molho de Soja, fácil de encontrar.


Tempero chinês para passar na carne que lembra um pouco o gosto do colorau 
cozinhando na china comida brasileira polvilho
Olha aí como é o polvilho chinês.
Eu não sei do que isso é feito, mas usamos para empanar já que farinha de rosca não é algo que se encontra com muita facilidade nos supermercados


Ir ao supermercado é uma atividade que exige paciência. Dependendo do dia e do horário você pode ficar mais de 30 minutos na fila 


Aqui as salsichas são muito pequenas. Em um pão você precisa colocar 2 para sair o tamanho de uma salsicha no Brasil. Vai entender o porquê dos chineses gostarem de tamanho pequeno.
Meus amigos chineses adoram a comida brasileira, sobretudo a salada de maionese e farofa de banana com ovo.




Por hoje é só e até a próxima!!!!


Obs.: para quem quiser tentar fazer pão de queijo aí é fácil. A receita que a Omara me enviou, testei e aprovei foi essa:


Ingredientes: 



  • 500g (2 pacotinhos desse polvilho) 
  • 1 copo/xícara 250ml de óleo menos um dedo 
  • 2 copo/ xícara de leite 
  • 1 colher de chá de sal 
  • 3 ovos 
  • 250g de queijo ou o equivalente a um copo grande (não precisa ter pena do queijo) 



Modo de preparo:


Misture o óleo, leite e sal. Deixe ferver até subir e escalde no polvilho até ele ficar todo molhadinho. Coloque para esfriar e depois acrescente os ovos um a um, alternando com o queijo e sovando bem após cada adição.


Para fazer as bolinhas untar as mãos com óleo (bem pouquinho.)

Coloque no freezer depois no ziplog e enjoy!!!

03/09/2013

03 de setembro de 2013
你好,

Claro que não adianta pedir desculpas pelo tempo em que demoro entre um texto e outro aqui no blog, mas realmente demorei muito tempo para me estabilizar em Wuhan. Como eu disse no último post, eu estava de mudança e nem casa eu tinha. E não é que agora estou com casa (organizada, limpa e com internet).

Então, a viagem foi mega tranquila de trem bala (quase 5 horas). Chegando na cidade propriamente dita não conseguir evitar a comparação de forno. Wuhan é uma cidade quente, e a terceira mais quente na China. A boa notícia é quando eu cheguei era o final da onda de calor na China e por isso acabou que não vivi intensamente o forno dessa cidade.

Apesar do pouquíssimo tempo de vida em Wuhan não consigo evitar as comparações entre aqui e Shenzhen. Primeiro porque aqui o sistema de transporte público é caótico, os ônibus são sempre lotados e a maioria possuem dois andares. Na china em várias cidades os veículos como metrô e ônibus sempre dizem para os passageiros a estação em que está aportando e o próximo destino. Em Shenzhen esses avisos são em mandarim, cantonês (língua oficial da província) e inglês.  Já em Wuhan é um exercício de VAMOS PRATICAR mandarim o tempo todo pois, ao menos o ônibus, trazem tudo só em mandarim (imagina você se sentir 100% analfa?).

E falando em metrô, um dos meus maiores prazeres eram andar de metrô. Em Wuhan só há 2 linhas (está prevista para abrir uma terceira linha em dezembro deste ano) e não cobre quase nada da cidade, ou seja, foi-se embora minha forma rápida de locomoção. Por outro lado o táxi é absurdamente barato, eu praticamente uso e abuso do táxi, porém................ Por ser barato os motoristas podem escolher se vão te levar ou não.  Se o passageiro não estiver indo para o mesmo sentido do taxista ele simplesmente briga com você e ainda te faz descer (isso acontece toda semana comigo). Outro ponto negativo, pelo fato de o táxi ser barato, é que o valor o torna acessível para todos os chineses e isso faz com que pegar  um táxi seja um exercício de paciência. Eu mesmo já perdi mais de 40 minutos debaixo do sol escaldante esperando que algum chinês não passe na minha frente para pegar um dos poucos táxis vazios (se tem algo que me estressa é quando os chineses passam na minha frente e se jogam na frente do carro para entrar antes de mim). PEGAR TÁXI EM  WUHAN NÃO É FÁCIL!!!!!

Outro choque que eu tive ao chegar em Wuhan foi ter que me acostumar com os colchões de cama tão macios quanto uma mesa de jantar. Na verdade não há diferença entre a rigidez do chão e a do colchão. Em minha primeira semana aqui tive muitas dores nas costas até comprar milhares de edredom para forrar a cama e torna-la um pouco mais “aconchegante”.

Wuhan brasileiro na china
Finalmente cozinhando comidas do Brasil.

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
Passando fome na China

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
É possível comer muito bem na China. Um prato típico da Pizza Hut

Wuhan brasileiro na china Pizza Hut menu
Passando Fome, o retorno

Vizinhança.

Wuhan brasileiro na china

Wuhan brasileiro na china

Novos amigos chineses

Wuhan brasileiro na china
A minha cama só ficou gostosa depois que coloquei 2 edredons por baixo

2 dias de limpeza para deixar a casa um "brinco".

E para quem acha que eu não me meti em nenhum confusão, engana-se. Mas isso fica para outro post onde contarei mais coisas cabulosas.


Até a próxima

08/08/2013

                                                                                                                    Shenzhen, 08 de agosto de 2013

你好,

Mudar, verbo transitivo, vem do latim mutāre e dentre vários significados pode ser entendido como  levar de um lugar para outrodeslocar; modificar; alterar; transformar; dar outra direção a; desviar  substituir (uma coisa por outra); renovar e etc. É engraçado como uma simples palavra pode ter diversos entendimentos. Recentemente tenho parado muito para refletir sobre minha vida e tudo aquilo que vem acontecendo em minha vida nos últimos 11 meses. E sem sombra de dúvida se eu pudesse resumir o produto dessas inflexões em meu caminho, usaria a palavra mudança. No inicio eu tinha planos de ficar apenas 1 ano na china, chegando aqui era para ter sido apenas 30 dias e hoje me vejo com minhas coisas todas dentro de caixas rumo a outra cidade para mais uma outra temporada de China. É meus caros, ninguém controla seu destino, aliás, ele é imprevisível.

mapa map de Wuhan
Wuhan foi o local onde a Mulan nasceu. Foto: google
Então, agora estou de partida para uma cidade chamada Wuhan (mais próximo ao centro da China, na verdade não é tão próxima assim). Deixo Shenzhen com o coração apertado com as mesmas incertezas que senti ao chegar. Os meus planos eram ficar em Shenzhen por pelo  menos mais 1 ano e, bum, de repente surgiu uma proposta de uma empresa em Pequim, fiquei animado e para minha grata surpresa a vaga não era para lá e sim para Wuhan. Após muito pesquisar e ouvir a opinião de amigos e de pessoas que moram lá, decidir encarar esse desafio.

Mudar nunca é fácil. É sempre sinônimo de novos desafios, de  muito trabalho (para empacotar tudo). Em se tratando de China achei que teria muita dor de cabeça, mas não é que estava errado. A Camila Poleci (que também tem um blog sobre as aventuras em Shenzhen) me deu uma baita força para achar uma empresa que me ajudasse na mudança e graças a ela paguei modestos R$ 93 para o envio de 14 caixas grandes para a minha nova casa (nossa é incrível quanto tralha a gente ajunta em pouco tempo). Ela me indicou um conhecido dela, o Daniel um chines que eu não tenho palavras para agradecer o suporte, que mesmo não me conhecendo me ajudou em tudo, em tudo mesmo. Com as minhas coisas empacotadas e a caminho de Wuhan surgiu um problema: fiquei sem casa. Devido a questões contratuais minha residencia mudou e lá vai corre para lá e corre para cá para arranjar outro lugar (até agora estou sem terra, mas tenho a certeza que tudo vai ficar bem). Graças ao Marcelo, um brasileiro que mora em Wuhan, já consegui pesquisar outros locais e o que mais me chamou atenção foi a alta tecnologia nas coisas. Gente, tô me sentindo um matuto do interior. Mas por que? Por causa disso:




No site onde podemos caçar apartamentos é possível ter uma ideia da vizinha através da visualização em foto paranômica do local (Muito chique, desculpa se tem isso no Brasil, mas não tô acostumado com tanta tecnologia).

  

O retângulo rosa é o GPS do caminhão que levou as minhas coisas. Eu pude visualizar em tempo real todo o percurso realizado pelo veículo, isso pagando para que a empresa venha até a minha casa e carregue tudo por apenas R$ 93 (um negócio da China, né?!). 

Torçam por mim e espero que no meu próximo post eu já tenho encontrado uma casa para morar em wuhan. Por enquanto ficarei hospedo na casa de um amigo de uma das moças do RH da nova empresa onde irei trabalhar.

Até a próxima!!!

02/08/2013

Shenzhen, 02 de agosto de 2013

你好,

Conforme prometido vou contar um pouco como foi a minha viagem a Yangjiang e Jiangmen. Aí vocês me perguntam como eu fui parar lá. Até agora uma boa parte de minhas viagens a outras cidades foi bancada pela a empresa na qual eu trabalho. Aqui na China, algumas empresas possuem a cultura de sempre promover passeios turísticos para seus funcionários. Minha sorte é que esta empresa na qual estou realiza esse tipo de atividade a cada três meses e é geralmente muito proveitoso (quem não gosta de viajar com tudo pago, né?) 

Em minha opinião a viagem foi muito cansativa, porém muito produtiva, pois como já comentei antes Shenzhen é uma cidade muito nova e por consequência não carrega aquela imagem dos costumes da China que imaginamos nos filmes. Desde que cheguei aqui sempre senti falta disso, ir a essas cidades mais "chinesas" me proporciona estar em contato com o que realmente é a Ásia. Mas voltando à viagem, foram mais de cinco horas sentado no busão indo de Shenzhen a Yangjiang (em dois de excursão) - essa foi a parte cansativa.

YANGJIANG JIANGMEN china city south beach life in china
Nossa guia lá na frente explicando tudo em mandarim. Entendi tudinho #SQN
Houve várias paradas para comer, ir ao banheiro (eu particularmente passei a viagem toda hora cochilando hora assistindo meus animes). Fazer excursão na china é algo muito engraçado, pois a primeira coisa que eles fazem é colocar um bonezinho com a marca da agência de viagem para que todos daquele grupo se encontrarem. Saímos de Shenzhen às 8:30 da manhã de sábado, eu cheguei no meu ônibus (foram necessários 7 ônibus para levar todo mundo da empresa para lá) e de imediato o nosso guia já foi distribuindo os bonés para o povo colocar na cabeça. Eu, como tenho essa cara nada asiática, já fui sendo alvo das brincadeiras do guia que iria nos acompanhar durante os dois dias. A primeira coisa que eles perguntam e/ou falam quando você diz que é brasileiro é algo relacionado a futebol e depois, ao menos comigo, é Hola. É claro que fico sem  graça de dizer que no Brasil falamos português e que 51% da América do Sul fala a língua portuguesa (logo não é um idioma muito raro rs). 

Depois de eu ter ido para frente do ônibus, usar o microfone do guia para dar noções básicas sobre o Brasil, finalmente, pude sentar. Como na sexta-feira eu havia dormido pouco, estava tudo preparado para eu passar essas 5 horas belíssimas dormindo (só que não). Uma chinesa recém contratada para ser interprete de espanhol sentou ao meu lado e não parou de falar espanhol comigo um minuto até que (2 horas depois), não aguentei e disse que eu queria dormir (definitivamente eu não estava com humor para socializar).

Praia em Yangjiang china brasileiro na china
Praia em Yangjiang. Boa para se refrescar e linda.
Passado as enfadonhas horas dentro do ônibus, nem consigo descrever o quão encantador foi conhecer Yangjiang primeiro porque é uma cidade na qual eu dividi em duas partes, a primeira que fica dentro do continente com os chineses mais pobres e mais a adiante há uma ponte que interliga com uma ilha que também faz parte do local (nessa área ficam os chineses ricos e turistas, além de ser uma das partes mais bonitas da cidade). No meu Facebook já postei várias coisas reclamando do calor (sim, sou amazonense e não consegui me habituar com esse calor extremo que se faz por essas bandas de cá), e inclusive saíram várias notícias sobre isso, chegar a Yangjiang foi ótimo para se lançar no mar (tinha muitos chineses na praia) e refrescar a alma. Como tudo foi milimetricamente planejado só podíamos ficar tomando banho de mar apenas por uma hora em meia (fiquei frustrado porque passou muito rápido o tempo). Depois, nós visitamos museus, almoçamos, jantamos (não necessariamente nessa ordem) e 1 hora da manhã chegamos ao hotel para descansar e acordar às 8 horas da manhã.

Posso afirmar que o lado ruim dessas excursões é o fato de ter muita coisa para ver em pouco tempo somado ao fato de que tudo na China é longe torna-se algo cansativo, mesmo para nós que fizemos o roteiro de duas cidades vizinhas em dois dias.

JIANGMEN

Apesar de ter amado essa viagem, para mim houve dois pontos negativos: o primeiro é que apesar de morar aqui há quase 1 ano, ainda não estou acostumado com a comida chinesa e ir para o interior é sempre um martírio para minha pessoa (não há um kfc ou mcdonalds); e em segundo foi o calor insuportável que estava fazendo - nós tínhamos que caminhar distancias longínquas em baixo de um Sol de 40º (sim, agora eu sei como uma galinha se sente dentro do forno) .

Em Jiangmen a atração foi basicamente visitação às vilas históricas. O lugar tem uma história muito interessante pois as vilas foram fundadas por chineses que moraram foram da China por muito tempo. Eles iam para a Europa ou EUA a trabalho e lá ganhavam muito dinheiro. Com dimdim no bolso, eles mandavam tudo para suas famílias na China e os pais podiam construir sua própria vila. Esse tipo de construção deu muito certo com o passar do tempo e acabou por se tornar um território independente dentro do própria país, com uma arquitetura européia (tijolos e cerâmicas vindo de Portugal e Itália) e hábitos mas ocidentalizados. Dentro do museu há vários registros de que as pessoas daquela época viviam com os mesmos luxos de um cidadão europeu. Acho que a sensação de retornar a uma época antiga, como no caso de Jiangmen foi indescritível e sem sombra de dúvida passear pelos enormes jardins é uma recordação para ficar na memória. 

Aqui vão algumas fotos do passeio




































 Minha reflexão sobre essa viagem é:
  • Eu não viveria em uma cidade no interior da China sem fast food ou shopping;
  • São cidades ótimas para visitar, e apenas isso;
  • Sempre leve seu telefone quando você sair do ônibus para ir ao banheiro, pois o ônibus pode partir sem você e você terá que sair gritando feito uma porra louca para que eles não te deixem no meio do nada na China.
Até a próxima!!!