Quem segue minha viagem pela China

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08/08/2013

                                                                                                                    Shenzhen, 08 de agosto de 2013

你好,

Mudar, verbo transitivo, vem do latim mutāre e dentre vários significados pode ser entendido como  levar de um lugar para outrodeslocar; modificar; alterar; transformar; dar outra direção a; desviar  substituir (uma coisa por outra); renovar e etc. É engraçado como uma simples palavra pode ter diversos entendimentos. Recentemente tenho parado muito para refletir sobre minha vida e tudo aquilo que vem acontecendo em minha vida nos últimos 11 meses. E sem sombra de dúvida se eu pudesse resumir o produto dessas inflexões em meu caminho, usaria a palavra mudança. No inicio eu tinha planos de ficar apenas 1 ano na china, chegando aqui era para ter sido apenas 30 dias e hoje me vejo com minhas coisas todas dentro de caixas rumo a outra cidade para mais uma outra temporada de China. É meus caros, ninguém controla seu destino, aliás, ele é imprevisível.

mapa map de Wuhan
Wuhan foi o local onde a Mulan nasceu. Foto: google
Então, agora estou de partida para uma cidade chamada Wuhan (mais próximo ao centro da China, na verdade não é tão próxima assim). Deixo Shenzhen com o coração apertado com as mesmas incertezas que senti ao chegar. Os meus planos eram ficar em Shenzhen por pelo  menos mais 1 ano e, bum, de repente surgiu uma proposta de uma empresa em Pequim, fiquei animado e para minha grata surpresa a vaga não era para lá e sim para Wuhan. Após muito pesquisar e ouvir a opinião de amigos e de pessoas que moram lá, decidir encarar esse desafio.

Mudar nunca é fácil. É sempre sinônimo de novos desafios, de  muito trabalho (para empacotar tudo). Em se tratando de China achei que teria muita dor de cabeça, mas não é que estava errado. A Camila Poleci (que também tem um blog sobre as aventuras em Shenzhen) me deu uma baita força para achar uma empresa que me ajudasse na mudança e graças a ela paguei modestos R$ 93 para o envio de 14 caixas grandes para a minha nova casa (nossa é incrível quanto tralha a gente ajunta em pouco tempo). Ela me indicou um conhecido dela, o Daniel um chines que eu não tenho palavras para agradecer o suporte, que mesmo não me conhecendo me ajudou em tudo, em tudo mesmo. Com as minhas coisas empacotadas e a caminho de Wuhan surgiu um problema: fiquei sem casa. Devido a questões contratuais minha residencia mudou e lá vai corre para lá e corre para cá para arranjar outro lugar (até agora estou sem terra, mas tenho a certeza que tudo vai ficar bem). Graças ao Marcelo, um brasileiro que mora em Wuhan, já consegui pesquisar outros locais e o que mais me chamou atenção foi a alta tecnologia nas coisas. Gente, tô me sentindo um matuto do interior. Mas por que? Por causa disso:




No site onde podemos caçar apartamentos é possível ter uma ideia da vizinha através da visualização em foto paranômica do local (Muito chique, desculpa se tem isso no Brasil, mas não tô acostumado com tanta tecnologia).

  

O retângulo rosa é o GPS do caminhão que levou as minhas coisas. Eu pude visualizar em tempo real todo o percurso realizado pelo veículo, isso pagando para que a empresa venha até a minha casa e carregue tudo por apenas R$ 93 (um negócio da China, né?!). 

Torçam por mim e espero que no meu próximo post eu já tenho encontrado uma casa para morar em wuhan. Por enquanto ficarei hospedo na casa de um amigo de uma das moças do RH da nova empresa onde irei trabalhar.

Até a próxima!!!

02/08/2013

Shenzhen, 02 de agosto de 2013

你好,

Conforme prometido vou contar um pouco como foi a minha viagem a Yangjiang e Jiangmen. Aí vocês me perguntam como eu fui parar lá. Até agora uma boa parte de minhas viagens a outras cidades foi bancada pela a empresa na qual eu trabalho. Aqui na China, algumas empresas possuem a cultura de sempre promover passeios turísticos para seus funcionários. Minha sorte é que esta empresa na qual estou realiza esse tipo de atividade a cada três meses e é geralmente muito proveitoso (quem não gosta de viajar com tudo pago, né?) 

Em minha opinião a viagem foi muito cansativa, porém muito produtiva, pois como já comentei antes Shenzhen é uma cidade muito nova e por consequência não carrega aquela imagem dos costumes da China que imaginamos nos filmes. Desde que cheguei aqui sempre senti falta disso, ir a essas cidades mais "chinesas" me proporciona estar em contato com o que realmente é a Ásia. Mas voltando à viagem, foram mais de cinco horas sentado no busão indo de Shenzhen a Yangjiang (em dois de excursão) - essa foi a parte cansativa.

YANGJIANG JIANGMEN china city south beach life in china
Nossa guia lá na frente explicando tudo em mandarim. Entendi tudinho #SQN
Houve várias paradas para comer, ir ao banheiro (eu particularmente passei a viagem toda hora cochilando hora assistindo meus animes). Fazer excursão na china é algo muito engraçado, pois a primeira coisa que eles fazem é colocar um bonezinho com a marca da agência de viagem para que todos daquele grupo se encontrarem. Saímos de Shenzhen às 8:30 da manhã de sábado, eu cheguei no meu ônibus (foram necessários 7 ônibus para levar todo mundo da empresa para lá) e de imediato o nosso guia já foi distribuindo os bonés para o povo colocar na cabeça. Eu, como tenho essa cara nada asiática, já fui sendo alvo das brincadeiras do guia que iria nos acompanhar durante os dois dias. A primeira coisa que eles perguntam e/ou falam quando você diz que é brasileiro é algo relacionado a futebol e depois, ao menos comigo, é Hola. É claro que fico sem  graça de dizer que no Brasil falamos português e que 51% da América do Sul fala a língua portuguesa (logo não é um idioma muito raro rs). 

Depois de eu ter ido para frente do ônibus, usar o microfone do guia para dar noções básicas sobre o Brasil, finalmente, pude sentar. Como na sexta-feira eu havia dormido pouco, estava tudo preparado para eu passar essas 5 horas belíssimas dormindo (só que não). Uma chinesa recém contratada para ser interprete de espanhol sentou ao meu lado e não parou de falar espanhol comigo um minuto até que (2 horas depois), não aguentei e disse que eu queria dormir (definitivamente eu não estava com humor para socializar).

Praia em Yangjiang china brasileiro na china
Praia em Yangjiang. Boa para se refrescar e linda.
Passado as enfadonhas horas dentro do ônibus, nem consigo descrever o quão encantador foi conhecer Yangjiang primeiro porque é uma cidade na qual eu dividi em duas partes, a primeira que fica dentro do continente com os chineses mais pobres e mais a adiante há uma ponte que interliga com uma ilha que também faz parte do local (nessa área ficam os chineses ricos e turistas, além de ser uma das partes mais bonitas da cidade). No meu Facebook já postei várias coisas reclamando do calor (sim, sou amazonense e não consegui me habituar com esse calor extremo que se faz por essas bandas de cá), e inclusive saíram várias notícias sobre isso, chegar a Yangjiang foi ótimo para se lançar no mar (tinha muitos chineses na praia) e refrescar a alma. Como tudo foi milimetricamente planejado só podíamos ficar tomando banho de mar apenas por uma hora em meia (fiquei frustrado porque passou muito rápido o tempo). Depois, nós visitamos museus, almoçamos, jantamos (não necessariamente nessa ordem) e 1 hora da manhã chegamos ao hotel para descansar e acordar às 8 horas da manhã.

Posso afirmar que o lado ruim dessas excursões é o fato de ter muita coisa para ver em pouco tempo somado ao fato de que tudo na China é longe torna-se algo cansativo, mesmo para nós que fizemos o roteiro de duas cidades vizinhas em dois dias.

JIANGMEN

Apesar de ter amado essa viagem, para mim houve dois pontos negativos: o primeiro é que apesar de morar aqui há quase 1 ano, ainda não estou acostumado com a comida chinesa e ir para o interior é sempre um martírio para minha pessoa (não há um kfc ou mcdonalds); e em segundo foi o calor insuportável que estava fazendo - nós tínhamos que caminhar distancias longínquas em baixo de um Sol de 40º (sim, agora eu sei como uma galinha se sente dentro do forno) .

Em Jiangmen a atração foi basicamente visitação às vilas históricas. O lugar tem uma história muito interessante pois as vilas foram fundadas por chineses que moraram foram da China por muito tempo. Eles iam para a Europa ou EUA a trabalho e lá ganhavam muito dinheiro. Com dimdim no bolso, eles mandavam tudo para suas famílias na China e os pais podiam construir sua própria vila. Esse tipo de construção deu muito certo com o passar do tempo e acabou por se tornar um território independente dentro do própria país, com uma arquitetura européia (tijolos e cerâmicas vindo de Portugal e Itália) e hábitos mas ocidentalizados. Dentro do museu há vários registros de que as pessoas daquela época viviam com os mesmos luxos de um cidadão europeu. Acho que a sensação de retornar a uma época antiga, como no caso de Jiangmen foi indescritível e sem sombra de dúvida passear pelos enormes jardins é uma recordação para ficar na memória. 

Aqui vão algumas fotos do passeio




































 Minha reflexão sobre essa viagem é:
  • Eu não viveria em uma cidade no interior da China sem fast food ou shopping;
  • São cidades ótimas para visitar, e apenas isso;
  • Sempre leve seu telefone quando você sair do ônibus para ir ao banheiro, pois o ônibus pode partir sem você e você terá que sair gritando feito uma porra louca para que eles não te deixem no meio do nada na China.
Até a próxima!!!